Rabiscados


Pois então, ficaram rebuçados, os corações. 
Sorrisos que partiram, aos pensamentos
tão frios que ficaram. Os olhares, que
mesmo distraídos, adoravam ver que
estavam desviados, tentando vê-los em
volta, em qualquer lugar.

Então, se cruzam sem saber, beijam sem querer,
abraçam e modiscam a saudade, sem entender.
Encontram-se nos corações, pra saber realmente se
continuam, um para o outro.

Os sonhos são os mesmos, contínuos,
e faiscados de amor. Ao longe se vê o futuro:
Tão junto. De pé sobre um rabisco inventado,
como se fossem seus rascunhos envelhecidos,
pelo tempo que guardou, engavetado nas suas
pequenas memórias.

Mesmo rabiscados, se reinventam.
Pra que a história só vire começo.
Pois até mesmo sem querer,
conseguem se amar.

Me permito a você,

Desenho por: @alinecrisrodrig. Minha amiga não é uma artista?

e também a imaginar seus traços,
e o lugar mais bonito.
Seu sorriso bobo e demasiado,
seguindo meus passos.
E nosso amor, como descoberta de criança:
Que pedalar poderia te levar
a qualquer lugar.
Tudo calmo. O barulho de pássaros
e a alma risonha por nossas mãos entrelaçadas.
No embalo das palavras de carinho,
mesmo que embaraçosas.

Exatamente como deve ser

Vou disfarçando sorrisos e equilibrando sobre os pontos mais travessos. Ainda tenho que ousar dos sonhos, contar histórias sem dias previstos para fins e brincar de fazer poesia. Na pressa vou me apegando no amor e soltando da dor. E aí desapego das mágoas e me conserto, pois a minha alma estará bem mais limpa e risonha. Do quase silêncio e vazio importuno, soa gargalhadas, pra dizer apenas que sorriu e que brincou de viver. E mesmo do avesso ainda me encontro, e me vejo querendo tudo novo de novo, exatamente como deve ser.

Um só, solitário



Insistente por trás de suas máscaras,

num estado frio e tão solitário.
Ainda murmurando e resmungando.
Relembrando os mesmos amargos.
Se olhando no espelho, e indagando suas
feridas e desencantos de sua face.
Esteve sempre em tempos desgastantes e perturbantes.
Afoga-se nas dores e soa nas impressões.
Chora, se condena – sem movimentos.
Ainda pelos caminhos tortos e incertos cuja são suas incertezas.
Se engana, e lamenta pelas marcas do tempo.
Se cobre de retalhos sendo cadeado e aprisionado por si mesmo.
Retorce de mágoas e delira sobre suas insônias.
De uma ignorância e uma fragilidade consumista.
Sem controle para derrotas – assim ainda pequeno se torna.
Uma alma morta abrigada quanto às folhas secas.
Uma teimosia calada e ofensiva.
E diálogos mal interpretados.
Dilacerando o tempo...  Apodrece a alma.
E cala-se o ainda murmúrio.
Se exila, vive de silêncio e cansa.
Sem folhas e pincel. Apenas memórias apagadas.
Em um lugar empoeirado e desconhecido,
vive um só e solitário. De vazio e de atormento.
Apunhalou um coração de pedra e só mesmo quis
se apoderar de vazio e solidão, até virar poeira.

Querida Infância

     Às lembranças se dobraram.
Me livrei da inocência e escorreguei das fantasias.
O tempo passou rápido, como um tropeço.
 Me despedi.
Ainda desdobro as memórias, mais só me restou saudade.
Quem dera, se ela voltasse.