Sinto


O que mais posso querer, se estar sobre um céu azul de brigadeiro é o que me faz mais feliz? O tempo está escorrendo pelos dedos e ainda não inventaram asas para acompanhá-lo. Algumas palavras querem saltar nesse momento e a única maneira que eu encontro é a de me sobressair sobre as entrelinhas. Não gosto de esperas, as únicas esperas que valem realmente à pena são de abraços em inesperadas surpresas, a lua de um fim do dia, um beijo, um riso que culmina o estômago, um amor que há mesmo de vir - nem que isso custe algumas lágrimas para tê-lo de volta - à uma memória inesperada em "por acasos", enfim. Gosto apenas de sentir e saborear o gosto agridoce que as coisas simples têm. E sinto, apenas por sentir, por apenas viver, e por isso; vivo! Das maneiras mais certas e incertas, entre sabores e dissabores. Me tomo um pouco à palavra, mas hoje estou me sentindo um pouco Fernando Pessoa. (E quem nunca se sentiu assim?) Sentindo-me doce, tanto quanto sua ternura de mostrar o simples em toda magnificência das suas palavras. Pois sinto que sou o cumprimentar dos olhos no admirar. Porquê às vezes...

“... Ouço passar o vento;
e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”
(Fernando Pessoa)

6 comentários:

Gugu Keller disse...

Cada segundo é sempre simplesmente tudo.
GK

Lucas Richardson disse...

Sabe, essas palavras me fizeram pensar no que já estamos cansado de ouvir, "viva cada momento como se fosse o último", e em "Sociedade dos Poetas Mortos", o filme clássico sobre aproveitar o momento, "carpe diem", que inclusive o filme sabe ressaltar muito bem o que seria aproveitar o momento, e me fez pensar, de modo que chego a simples conclusão, a conclusão de que não vivo à procura da felicidade mas à procura de fortes emoções, e sinto, ah como sinto!

Os melhores textos são os que nos fazem pensar. Muito bom Luiza!

Abraço.


tercerapessoa.blogspot.com

O Profeta disse...

Este pensador, viajeiro entre Sois
Esta Ave pousada em mil embarcações
Esbarco que passa sem vela ou remo
Esta arca repleta de vibrantes emoções

Esta mestiça flor de açafrão
Este ramo de espinhos cravados na mão
Esta alma que não ousa largar opinião
Este homem vestido de solidão

Doce beijo

O Profeta disse...

Este pensador, viajeiro entre Sois
Esta Ave pousada em mil embarcações
Esbarco que passa sem vela ou remo
Esta arca repleta de vibrantes emoções

Esta mestiça flor de açafrão
Este ramo de espinhos cravados na mão
Esta alma que não ousa largar opinião
Este homem vestido de solidão

Bom domingo

Doce beijo

Inercya disse...

Definindo o texto em uma palavra: sutileza. Me fez sentir tudo o que você sentiu e sente. Belo pensamento. :)
:*

Yasmin disse...

Como você mesma disse, quem nunca se sentiu meio Fernando Pessoa, né? Achei teu texto de uma leveza tão grande que me senti confortável ao lê-lo.
Há quanto tempo não venho aqui, não? Não vou me perdoar por ter deixado tuas postagens passarem por mim sem que eu as tenha lido... Desculpa, Ana!
Beijos.

Postar um comentário

Sua opinião é importante e valiosa. Obrigada por visitar!