Imaginar
É que as coisas bonitas,
vem de dentro,
criam memórias
e são como vivê-las
Normalmente é ser só
um ser imaginável.
"Dias e Dias"
Gosto do tom da inocência
na ideia dos sabiás já crescidos nas gaiolas
incorporando o humano
o silêncio e a dor existencial
Astúcia também é assobio
do capricho dos dias
nas cartas,
do tempo
irreal
Gosto da Poesia, do olhar de Antônio
E da doce apreciação de Feliciana
pelos versos
Coração aprisionado
conturba a felicidade exilada
O amor é o monólogo
de batidas cessantes
mesmo depois da partida
Poesia inspirada no livro: Dias e Dias, de Ana Miranda.
Despertar setembro
Não sei se as coisas estão passando como deveriam passar. Na verdade, as coisas não passam. Apenas vai ficando do modo como queremos. Memórias e experiências acabam contando nisso. Portanto, eu estou certa de que viver a vida da forma mais intensa que se possa viver é uma boa maneira de estar bem consigo mesma.
É necessário que os dias mudem. Assim como as estações, meses e anos. Assim como ontem que começou o mês de setembro e só hoje fui me dar conta de que, bom... já havia começado. Sempre gostei desse mês. Acho um mês legal para definir escolhas importantes, sermos mais nós mesmos e redigir com carinho o que "você vai ser quando crescer." Mas não que todos os outros dias não seja para ser você ou fazer escolhas, etc. Embora eu esteja querendo não pensar em tudo que ainda tenho para resolver, não é nada legal deixar tantas coisas pra depois. Sempre tive medo das mudanças, mas também não quero que elas deixem de mudar. Por isso sei que as mudanças partem das pequenas escolhas, seja por qualquer coisa que eu ou você possa fazer.
Mas ainda que todos os dias do ano sejam extremamente importantes, é com carinho que sempre recebi os dias de setembro. Gosto do despertar das "coisas" e não é por outra razão que setembro é a primavera. O florir das flores, assim como o despertar da alma, é a garantia de que tudo vai ficar bem de novo, e de novo. Quero despertar, seja para começar, recomeçar ou continuar vivendo como sempre deve ser.
Ainda que parecer estranho tudo isso, é possível me ver vivendo depois dos dias encerrarem. Talvez seja isso, um breve pensamento para sonhar. Como quem quer sempre alcançar, somente. Como quem é, e tem na alma, "setembro".
Despertar setembro (2012): http://analuizacabrall.blogspot.com.br/2012/09/despertar-setembro.html
Universo interior
Hoje as estrelas estavam tão bonitas e tão mais nítidas. As lentes dos meus óculos me ajudaram a enxergar melhor, até porque eu nunca tinha olhado o céu com eles (os óculos) antes. Na verdade, depois de ter conversado um pouco com Deus e estar me sentindo mais próxima de mim mesma, eu me sinto bem mais leve para assentar os pensamentos e configurar o meu próprio universo.
A minha conexão com o universo é sempre muito plena. Desde do que posso ver e até onde posso sentir. O interior é mesmo um universo extenso e somos apenas uma massa em meio aos mistérios de um próprio ser. É uma sutileza estar íntima da alma. Olhar para dentro de si é uma incrível viajem pelo seu próprio universo.
A dimensão que tudo vem tomando na minha vida é proporcional às minhas escolhas. Não é válido olhar a vida melhor somente no futuro. É algo sempre tão incerto. O agora, representa bem mais o que sou. Não que eu vá deixar de sonhar e de criar meus próprios objetivos. Pois acredito, que assim como as nuvens, os nossos sonhos percorrem do mesmo modo. E nos constituem, que é o melhor. Mas hoje é uma questão de sentir e viver. E mesmo que eu não tenha ainda decidido nada, eu sempre estarei fazendo escolhas, como um estado de ser ou estar. É algo bem simples - fui pensando comigo.
Me movo também do amor. É incontestável o sentimento verdadeiro que temos pelas pessoas as quais mais amamos. Lembro-me então, dos rostos que vivem nas proximidades da minha órbita. Da convivência múltipla de sentimentos. Por aqueles momentos que me proporcionaram felicidade e pelas construções mais humanas que fizemos, talvez por nós mesmos. Ou por ser claramente quem somos - ainda pensando.
Estou em estado de nuvem,
passando junto ao tempo
Não sei até onde findar os passos
Mas ao caminhar
Me descubro
É inteiramente.
Estou responsável pelo
brilho que me cativar.
Estou em estado de lua
à observar
as rupturas que traço
Até por onde os sorrisos
me encantar.
Enquanto ser eu mesmo,
E não ser
pelas desventuras de uma
passagem boba.
Pois vivo.
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